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Rovereto além do MART: o que fazer, onde comer e onde ficar numa das cidades mais interessantes do Trentino

30 de maio de 2026 Alyson Darugna Deixe um comentário

Rovereto é daquelas cidades italianas que ficam escondidas nos roteiros turísticos em português. A maioria dos guias a menciona rapidamente como “a cidade do MART”, o museu de arte moderna projetado por Mario Botta. E para por aí.

A realidade é que Rovereto merece muito mais. É uma cidade do Trentino, a 25 minutos ao sul de Trento pela autoestrada, com um centro histórico compacto, comida excelente, preços mais amigáveis que os de Trento, e um dos melhores hotéis em que já nos hospedamos no norte da Itália. Usamos Rovereto como base para uma viagem de três dias pelo Trentino-Alto Adige, incluindo o MUSE de Trento, e foi uma das decisões mais acertadas da viagem.

Este post é o que vivemos e aprendemos em Rovereto, em março de 2024.

Onde fica Rovereto e por que escolher ela como base

Rovereto fica na província de Trento, 25 km ao sul da capital, na margem do rio Adige. Está direto na autoestrada A22 (Brennero), o que facilita a logística para quem está fazendo roteiro de carro pelo norte da Itália.

A cidade tem cerca de 40 mil habitantes, o que a coloca num tamanho confortável: nem vilarejo, nem metrópole. Tem infraestrutura completa (supermercados, farmácias, hospital, estação de trem) sem o preço inflado e o movimento de uma cidade turística.

Nós escolhemos Rovereto como base para três dias no Trentino por três razões práticas:

  1. Preço: hotéis em Rovereto custam menos que em Trento, com a mesma qualidade.
  2. Localização: ficar em Rovereto permite explorar Trento (25 min), o Lago di Garda (30 min), Verona (50 min) e até partes das Dolomitas (1-2h) sem precisar trocar de hotel.
  3. Calma: à noite, Rovereto é tranquila. Ótimo para descansar depois de um dia inteiro de turismo.

Hotel Mercure Nero Cubo: o grande acerto

O Mercure Nero Cubo foi a nossa escolha de hospedagem e acabou sendo um dos grandes acertos da viagem.

Eu já tinha passado várias vezes pela A22 em viagens anteriores e visto o hotel, aquele prédio preto angular bem visível da autoestrada. Sempre pensei “quero me hospedar ali um dia”. Dessa vez, deu certo.

O quarto era enorme, com uma divisão inteligente entre a área de casal e o espaço da Martina. Ela tinha seu próprio cantinho com cama e TV, separado o suficiente para ter privacidade, mas próximo o bastante para ficarmos tranquilos. Para quem viaja com criança, essa divisão faz toda a diferença na hora de descansar sem sacrificar privacidade.

O café da manhã foi deslumbrante. Variedade de frutas, pães artesanais, frios italianos, opções quentes, sucos frescos. E, detalhe importante: o atendimento era atencioso de verdade, não só cordial por obrigação.

A localização é excelente: fica a 1 minuto da saída da A22, o que torna a entrada e saída da cidade bem rápida. Para o centro de Rovereto são 5 minutos de carro. Para Trento, 25 minutos.

Cobrimos o hotel com mais detalhes no nosso post sobre o MUSE.

O que comer em Rovereto: três endereços que aprovamos

Ficamos em Rovereto por três dias, o que nos deu tempo de explorar a cena gastronômica local. Foram dois jantares e uma parada de tarde, e os três valeram.

Tre Pini: a primeira noite

Via Stazione Mori, 14, 38068 Rovereto.

Na primeira noite, depois de chegar na autoestrada cansados da viagem, fomos jantar no Tre Pini. É um restaurante-pizzeria clássico, ambiente de madeira clara, janelas grandes, teto com vigas aparentes. O tipo de lugar onde família italiana vai jantar com frequência.

A noite foi marcante por um motivo: a Martina experimentou bresaola de cavalo pela primeira vez. A bresaola é uma carne curada típica do norte da Itália, fininha, servida crua. A de cavalo é uma das variantes da região. Eu já tinha comido anos antes, e queria que ela provasse. Ela amou.

Pedimos também:

  • Uma tábua de salumi mista para começar
  • Cotoletta alla milanese (aquela empanada e frita, no estilo milanês) com batata frita para a Martina
  • Prato principal de carnes para os adultos
  • Água mineral Pejo, uma marca local trentina que vem das fontes alpinas

O Tre Pini não é sofisticado. É honesto, gostoso, farto, e com preço amigável (10 a 20 euros por pessoa). Para a primeira noite, foi perfeito.

Pasticceria Depero: a parada da tarde

Corso Antonio Rosmini, 23, 38068 Rovereto.

Depois de um dia inteiro em Trento (MUSE de manhã, almoço no Due Mori, tarde explorando o centro histórico), voltamos para Rovereto no fim da tarde. Entramos no estacionamento da cidade às 18h10 (o ticket ainda está em alguma foto do meu celular).

Paramos na Pasticceria Gelateria Depero RistoBar, na Corso Antonio Rosmini, para um descanso rápido. A Depero é ao mesmo tempo confeitaria, sorveteria e restobar, o que lhe dá uma versatilidade rara. Nós pedimos para esticar a tarde com doces e aperitivo.

Pedimos:

  • Crostata de frutas vermelhas com polvilho de açúcar
  • Cappuccino servido em xícara Pellini
  • Bolo de chocolate denso
  • Um analcolico (aperitivo sem álcool, tipo Crodino) para acompanhar com gnocco fritto

O gnocco fritto foi a minha descoberta da tarde. É uma massa frita típica da Emília-Romanha que aparece também no Trentino, geralmente servida com salumi. Eu nem sabia que existia. Provei, amei, e agora é parada obrigatória quando vejo no cardápio.

A Depero tem também uma vitrine de sorvetes artesanais que vale a visita mesmo que só para olhar. No verão, imagino que seja parada obrigatória.

Singh: jantar indiano no Trentino

Noutra noite, variamos. Fomos jantar no Singh, um restaurante indiano junto ao Hotel Villa Cristina, em Rovereto.

Pode soar esquisito comer indiano no meio do Trentino, mas o lugar é bom e serve comida indiana de verdade, com a parafernália completa: thali em recipientes de cobre, curries, arroz basmati, naans, painel decorativo com cenas indianas na parede.

Pedimos os clássicos:

  • Vários currys (vegetal, frango em molho amarelo que parecia dal, e um vermelho que era tikka masala)
  • Arroz basmati em potes de cobre fumegantes
  • Naans para dividir

A Martina, curiosamente, pediu pizza de salsicha com batata frita (o Singh também serve italiano, e às vezes uma criança é mais feliz com pizza que com curry). A cena era surreal: a gente comendo thali indiano e a Martina com uma pizza. Ela ficou feliz, a gente ficou feliz, missão cumprida.

O Singh é a prova de que até cidades do Trentino têm cena gastronômica diversa. Se você cansou de comida italiana (acontece mesmo na Itália, acredite), é uma boa pedida.

O que visitar em Rovereto

MART (passando de carro)

O MART (Museo di Arte Moderna e Contemporanea di Trento e Rovereto) foi projetado pelo arquiteto suíço Mario Botta e inaugurado em 2002. É considerado um dos mais importantes museus de arte moderna da Itália.

Nesta viagem, nós não entramos no MART. Passamos de carro vendo o edifício de fora, que por si só já é uma atração arquitetônica. O MART tem uma grande cúpula de vidro e aço que lembra o Panteão de Roma reinterpretado em linguagem contemporânea.

Se você tem meio dia em Rovereto e gosta de arte moderna, o MART é parada obrigatória. A coleção inclui Futuristas italianos, Giorgio de Chirico, Fortunato Depero (futurista que tem em Rovereto a sua Casa d’Arte Futurista) e obras de arte conceitual. Ficou para a próxima visita.

Horários: terça a domingo, 10h-18h. Fechado segundas.
Site: mart.tn.it

Castello di Rovereto e Campana dei Caduti

O Castello di Rovereto é uma fortificação do século XIV que hoje abriga o Museu Histórico Italiano da Guerra. A localização, numa colina com vista para a cidade e o vale, é bonita.

A peça mais famosa de Rovereto em termos turísticos é a Campana dei Caduti (Sino dos Caídos), conhecida como “Maria Dolens”. É um dos maiores sinos badalados do mundo, originalmente fundido em 1924 a partir do bronze de canhões das nações que participaram da Primeira Guerra Mundial. Ele toca 100 badaladas ao anoitecer todos os dias, em homenagem aos mortos de todas as guerras.

Nós não fomos à Campana nesta visita. Fica para a próxima.

Centro histórico de Rovereto

O centro histórico de Rovereto tem ruas estreitas, prédios medievais, e a feira livre na Piazza Rosmini. É compacto, caminhável em uma hora ou duas. Não tem a monumentalidade de Trento, mas tem charme próprio. A Corso Antonio Rosmini (onde fica a Pasticceria Depero) é a via principal do passeio.

Como chegar

De carro: autoestrada A22 (Brennero), saída Rovereto Sud ou Rovereto Nord. De Verona são 50 minutos, de Trento 25 minutos, de Bolzano 1h.

De trem: Trenitalia para na estação de Rovereto, na linha Verona-Bolzano-Innsbruck. Trens regionais frequentes e conexões de longa distância. Da estação ao centro são 10 minutos a pé.

Estacionamento: há várias áreas de estacionamento com parquímetro no centro e perto do MART. Custo amigável (um ticket de quase 3h nos custou menos que estacionar 30 minutos em algumas grandes cidades italianas).

Quando ir

Visitamos em março, no início da primavera. O clima estava ameno, ainda com montanhas cobertas de neve ao fundo, mas com os primeiros narcisos amarelos aparecendo. Ótima época para combinar cidade com natureza.

No verão, Rovereto fica cheia, mas nunca tão cheia quanto Trento ou Verona. No inverno, base útil para esqui nas Dolomitas de Brenta (1h de carro). Dezembro tem mercados de Natal, menos famosos que os de Trento mas mais tranquilos.

Roteiro sugerido: 2 dias em Rovereto e arredores

Dia 1:

  • Manhã: chegada, check-in no Mercure Nero Cubo
  • Tarde: centro histórico de Rovereto e MART (se for terça a domingo)
  • Noite: jantar no Tre Pini

Dia 2:

  • Manhã: bate-volta para Trento, visita ao MUSE
  • Almoço em Trento (Antica Trattoria Due Mori)
  • Tarde: centro histórico de Trento
  • Volta para Rovereto, café na Pasticceria Depero
  • Noite: jantar no Singh

Para 3 dias, inclua também o Lago di Garda ou a Campana dei Caduti.

Vale a pena?

Vale muito. Rovereto é um desses segredos mal guardados: está em todos os guias mas tratada como coadjuvante, quando na verdade funciona muito bem como protagonista de uma viagem ao Trentino. Comida boa, hospedagem acessível, localização estratégica, e ritmo humano.

Se você está planejando o norte da Itália e pensa em Trento como base, considere seriamente usar Rovereto em vez. Você vai pagar menos, comer melhor, e vai ter a cena gastronômica e cultural de uma cidade italiana inteira de brinde.


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Sobre Alyson Darugna

Alyson Regis Darugna é formado em Comunicação Social, casado, pai da bela Martina, cidadão brasileiro e italiano. Vive em Blumenau, Santa Catarina. Ama viajar e possui um interesse ainda maior pelo norte da Itália, pela Flórida em geral e pela Disney em particular. Fluente em Inglês e Italiano, possui também interesse pela língua Alemã. Tem como grandes hobbies a leitura, ficar por dentro de novas tecnologias, e, acima de tudo, viajar.

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